Veleiro e itens para remo ajudam na preparação para Paraolimpíada
A Escola Politécnica (Poli) da USP produziu um veleiro direcionado para pessoas com deficiência física e também apresentou projetos de prótese e equipamentos para a prática de remo adaptável. O barco e os equipamentos foram desenvolvidos por docentes e alunos da Poli, dentro do Programa Poli Cidadã. Os projetos colaboraram com o treinamento dos atletas paraolímpicos para as Olimpíadas de Pequim, na China.
O Poli 19 é um barco de 19 pés, concebido para treinamento de atletas paraolímpicos e praticantes de vela. O projeto, desenvolvido ao longo de dois anos, é resultado do trabalho conjunto entre o Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da Poli e a Federação de Vela do Estado de São Paulo (Fevesp). A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, viabilizou a iniciativa.
São duas as categorias das competições paraolímpicas: veleiro individual e veleiro para três pessoas. O Poli 19 atende a categoria três pessoas. "O veleiro utilizado nas competições é um barco inglês, de 23 pés, de quilha fixa (dificulta transporte em carretas), que tem um custo médio de US$ 40 mil. Este valor limita a aquisição de novos barcos", aponta o professorda Poli, Alexandre Nicolaos Simos, que orientou o projeto juntamente com o professor André Luis Fujarra.
Visando a praticidade de transporte, o projeto exigiu o desenvolvimento de um mecanismo de içamento da quilha. Original, este equipamento já está em processo de patente. Trata-se de uma estrutura, montada no convés, que é acionada por manivela.
"A maioria dos mecanismos com quilha funcionam por meio de cabos, o que torna o manuseio perigoso, principalmente para velejadores com ausência ou dificuldades nas mãos, braços, pés e pernas”, explica Simos. “O içamento por manivela é seguro, o velejador pode parar no meio do processo, caso sinta a necessidade, sem comprometer a manobra ou correr riscos de se machucar".
Remo
A Poli, a Confederação Brasileira de Remo, a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida (SMPED) do município de São Paulo, e o Banco Nossa Caixa investiram em pesquisa e desenvolvimento para melhorar o esporte paraolímpico. Unir engenharia à biomedicina foi o passo inicial do projeto da prótese de um membro humano para ser empregado na prática do remo adaptável.
O trabalho foi realizado pelo alunos de engenharia André Molina, Fábio Yukiyoshi Missawa, Hiralindo do Carmo Silva Neto, Ronaldo Tadashi Aoki, orientados pela professora Izabel Fernanda Machado. O processo envolveu visita a oficina ortopédica, fábrica de próteses, estudos dos materiais e suas resistências, compreensão do movimento de remada, entre outras etapas. A construção teve a colaboração de uma atleta modelo da ONG Projeto Próximo Passo e a prótese pode ser adaptada a outros atletas, de acordo com suas características individuais.
A pesquisa de uma cadeira fixa para remo adaptável foi o projeto de formatura dos alunos da Poli, Laurence Vinícius Nakatu, Rubens Kazuto Tsukamoto e Gustavo de Andrade Poletto. Eles estudaram uma série de adaptações necessárias à cadeira de forma a tornar a prática do remo mais acessível aos praticantes, como leveza, regulagens e fácil manuseio, priorizando a segurança do atleta na água, seu desempenho e conforto.O projeto, totalmente inovador, teve seu protótipo patrocinado pela Federação Paulista de Remo e apoio da Jaguaré Protótipos Ltda.
Os estudantes Diego Tonin e Gustavo Partel Young desenvolveram flutuadores compatíveis com os importados, porém baratos, funcionais e de fácil fabricação, para a prática de remo adaptável. O projeto envolveu escolha dos materiais, formatos de casco, tipo de preenchimento e métodos de fixação do flutuador ao barco.
Por meio de simulação computacional foram comparados os resultados do protótipo aos dos flutuadores atualmente utilizados. "O projeto também prevê desenvolver um sistema de fixação com possibilidade de ajuste de posição e encaixe rápido, a fim de permitir que o mesmo flutuador seja utilizado por diversos atletas", explica a professora Isabel, orientadora do trabalho.
(Com informações da Assessoria de Imprensa do Ddepartamento de Engenharia Mecânica da Poli)
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